Home Exposições Currículo Textos Críticos

Raul Leal



Nada acabará, nada ainda começou – Raul Leal
Curadoria: Isabel Sanson Portella

O artista Raul Leal recebeu o Prêmio Viva o Talento da Prefeitura do Rio de Janeiro com a exposição Nada acabará, nada ainda começou que vai acontecer no Centro de Referência da Música Artur da Távola na Tijuca. O artista utiliza na exposição material ligado a eventos ocorridos no Palácio do Catete e no país, relacionados à música. Tendo a figura de Nair de Teffé como fio condutor são apresentados trabalhos em pintura, texto e vídeo formando uma instalação que ocupa todo o espaço da galeria do Centro Cultural. 


Em 26 de outubro de 1914 a então primeira-dama do Brasil, Nair de Teffé, organizou uma recepção nos salões do palácio do Catete onde foram executadas obras de compositores populares brasileiros, culminando com a apresentação do Corta-Jaca, maxixe da compositora Chiquinha Gonzaga. A repercussão foi a pior possível, abalando ainda mais a pouca popularidade do presidente Hermes da Fonseca.

Ruy Barbosa declarou que nosso governo estava prestando as mesmas honras que merecia a música de Wagner às expressões mais chulas da nossa cultura, o mesmo Wagner que execrou a música de outros compositores que não aderiam ao seu credo musical, condenando-os à clandestinidade e a um preconceito sobre suas obras que durou décadas.

 

Na exposição é apresentada uma grande colagem de imagens que conecta passado e presente e nos faz refletir sobre os processos de aceitação e exclusão das manifestações culturais.

Sobre Raul Leal: Artista visual radicado no Rio de Janeiro. Participou de diversas exposições individuais e coletivas em instituições como Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de artes de Blumenau e Museu de Arte de Ribeirão Preto. Recebeu prêmios em diversos salões de arte e tem trabalhos em importantes coleções.


Galeria do Lago (Museu da República) | Rua do Catete, 153 - Catete 
Exposição: de 23 de maio a 28 de junho de 2015
https://www.facebook.com/nadacabara/

Com curadoria de Isabel Sanson Portella, a mostra apresenta uma relação entre a memória musical do Palácio do Catete e as artes visuais.
Share
Tweet
Pin
Share
No comentários


Ilhas - Centro Cultural Justiça Federal
Curadoria e texto crítico: Daniela Name

Shopping centers são centros comerciais onde o que menos importa é a convivência. A ode ao consumo caminha em paralelo com a despersonalização dos lugares e do relacionamento entre as pessoas. Transitar por seus corredores assépticos e frios leva as pessoas a “não-lugares”, nos quais o desconforto causado pelo vazio evita que o consumidor permaneça muito tempo no mesmo local, estimulando a circulação pela lojas e a compra. Em sua individual “Ilhas”, em cartaz de 17 de abril a 31 de maio no Centro Cultural Justiça Federal, o artista plástico Raul Leal questiona a natureza desses lugares por meio de pinturas a partir de fotos de vários ambientes de shopping centers. Por meio da pintura, esses espaços ganham cor, e alguma possibilidade de vida.


“Os corredores dos shoppings são espaços ocos, onde nada acontece. Daí o nome da exposição, que remete ao isolamento e ao tédio. Isso é reforçado por uma arquitetura padronizada, que não remete a um lugar que possa ser fixado na memória das pessoas. Shoppings são iguais em qualquer lugar do mundo”, observa Raul.

A mostra atual dá sequência à pesquisa do artista sobre a paisagem urbana. Ele se interessa pela rua e como as pessoas interagem com a cidade. Para isso, utiliza a mesma técnica de trabalhos anteriores: as pinturas começam com a fotografia. Leal projeta fotos de espaços urbanos, manipulados digitalmente, removendo os elementos que considera excessivos e tira dessa imagem a ideia para a obra.


A figura humana é essencial no trabalho de Raul. Ela se relaciona com o espaço urbano, seja a rua ou o interior do shopping, mas é apresentada de forma pouco nítida, por meio de silhuetas e sombras. É a proposta de seu trabalho mostrar como o humano pouco consegue interagir com seu entorno. Suas obras visam a causar esse estranhamento e mostrar como as relações das pessoas com o espaço e entre si estão cada vez mais fluidas e fugazes.

“O espaço urbano não é mais um espaço de convivência. Tornou-se, em geral, lugar de passagem, seja nas ruas, seja dentro dos shoppings. Há uma clara falta de identificação nas cidades contemporâneas. Elas não convidam à relação e sim à indiferença”.


No caso dos shopping centers, tema da exposição no Centro Cultural Justiça Federal, a situação é ainda mais complicada, segundo Leal. Nesses locais, a desumanização visa a alimentar o consumo compulsivo na criação de um comportamento calculado para inibir a socialização.


“A arquitetura do shopping é feita para as pessoas irem de um ponto A ao ponto B. O objetivo é estimular a compra. Diferentemente da rua, que é um ambiente aberto ao acaso, onde qualquer coisa pode acontecer, e que imprime uma memória afetiva, nos shoppings, o ambiente é absolutamente controlado e inibidor. O aparato de segurança deixa claro, com seu circuito interno de câmaras e grandes homens ameaçadores de terno e gravata, que quem entra no shopping deve consumir. E ir embora. Daí a grande discussão que se deu por conta do fenômeno dos rolezinhos. Os jovens da periferia, com poucas opções de lazer, escolheram o shopping para socializar, rompendo esse paradigma e trazendo uma possibilidade de caos que não pode ser absolutamente permitida num ambiente que se pretende público, mas é privado”, analisa o artista.



Share
Tweet
Pin
Share
No comentários
Older Posts

Raul Leal utiliza em sua produção artística os meios da pintura, desenho, fotografia, instalação e vídeo. Sua produção é ligada aos temas do cotidiano urbano e aspectos da cultura brasileira. Frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage RJ de 2005 a 2011, em cursos de pintura, desenho, história e teoria da arte, com João Magalhães, Daniel Senise, Suzana Queiroga, Anna Bella Geiger, Fernando Cocchiaralle, entre outros. Frequentou o Grupo Alice sob orientação de Brígida Baltar e Pedro Varela em 2011 e 2012, o grupo de estudos com Ivair Reinaldim em 2012 e 2013, e o grupo de estudos sobre arte contemporânea com Daniela Name em 2014. É especialista em gestão cultural pela Fundação Cecierj RJ.


Contatos:

Aura Arte

Almacén Galeria

Enciclopédia Itaú Cultural

Created with by BeautyTemplates